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II SIEPE em Camboriú debateu interculturalidade, sustentabilidade e inclusão

abertura-Siepe2A solenidade de abertura do II Seminário Integrado de Ensino, Pesquisa e Extensão (Siepe), ocorrida na noite do dia 09/04/14, marcou o início da construção e consolidação de um evento institucional que promove o pensamento das atribuições dos Institutos Federais, observando e refletindo sobre a sociedade brasileira.

Neste teor, o reitor Francisco Sobral colocou que o II Siepe traz a necessidade de discutir o Ensino, Pesquisa e Extensão em um molde diferenciado. “Os Institutos Federais possuem um foco diferenciado da universidade, por isso precisamos tratar a relação de Ensino, Pesquisa e Extensão de uma forma diferente. Esse é o nosso grande desafio”, disse.

Para Reinaldo Fleury, coordenador geral do II Siepe, as três áreas trabalhadas no evento são desafiadoras. “O tema sustentabilidade trata do desafio de transformar o mundo contemporâneo, entender e ver estratégias de articulação coletiva. Já a interculturalidade é um assunto sobre desenvolver formas de convivência para todos, na cooperação crítica e produtiva para sustentar a vida. O terceiro tema, que aborda a inclusão, é a oportunidade de debater sobre como promover a inclusão, com formas de convivência para que todos tenham as oportunidades e direitos garantidos”, ressaltou.

O diretor-geral do Câmpus Camboriú e anfitrião do II Siepe, Rogério Luís Kerber, agradeceu a presença de todos e disse se sentir grato por receber este evento. “É preciso integrar o Ensino, a Pesquisa e a Extensão com as necessidades da comunidade que nos cerca, pois a criação dos IFs priorizou a verticalização do ensino e atende as demandas locais”, disse.

Para o reitor Sobral o II Siepe é o início de um debate dentro dos IFs nas temáticas de Sustentabilidade, Interculturalidade e Inclusão que têm total relação com a cara dos Institutos Federais. “O evento se encaixa numa proposta política para debater esses três temas no Brasil”.

Cerca de 200 pessoas, entre pesquisadores, servidores do IFC e autoridades, acompanhou a solenidade de abertura, que contou com Intérprete de Libras e Audiodescrição durante todo o cerimonial promovendo a participação completa de pessoas com necessidades auditivas e visuais.

MESA REDONDA I

Mesa-redonda1Com o tema “Formação científica e tecnológica e os desafios interculturais, inclusivos e ambientais no contexto contemporâneo”, a primeira mesa redonda do II SIEPE, mediada por Mauro Bittencourt dos Santos (IFC), contou com a participação das pesquisadoras australianas, Dora Marinova e Talia Raphaely, e Monica Pereira dos Santos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Dora destacou a contribuição das multinacionais em desfavor da sustentabilidade do planeta. Na analogia com “O Pequeno Príncipe”, a pesquisadora afirmou: –  “é muito perigoso tornar-se um adulto, pois eles estão somente interessados em números”.

A palestrante Talia Raphaely, que desenvolve pesquisas juntamente com Dora, complementou a fala da colega ao apresentar um polêmico estudo de caso sobre o empoderamento através das escolhas que fazemos na nossa alimentação. De acordo com Talia, o aumento do consumo de carne é uma das maiores ameaças para a sustentabilidade. “Vocês podem imaginar que o nosso poder de consumir menos carne pode mudar o mundo?”, indagou a palestrante.

Segundo a pesquisa de Talia, 51% dos gases emitidos no mundo são causados pela criação de animais. “A criação de animais é uma das maiores causas da poluição da água. Só para a produção de um quilo de carne são necessários 100 mil litros de água por dia, o que equivale a 455 dias de água”, destacou. Só no Brasil são consumidos 79kg de carne por pessoa/ano, aproximadamente 1,19kg por semana .

A temática “comida” foi utilizada para demonstrar o empoderamento das ações individuais no processo de escolha de um futuro melhor. “Mas o que isso tudo tem a ver com interculturalidade?”, questionou Talia à plateia. “A mensagem de hoje é que todos nós devemos pensar em como as nossas próprias escolhas e ações tem um grande poder para escolher se nosso futuro será sustentável ou insustentável”, afirmou a palestrante australiana.

Para finalizar a mesa redonda, a palestrante da UFRJ, Mônica Pereira dos Santos, falou sobre inclusão. “Como princípio, a inclusão engloba tudo, até sustentabilidade”, declarou. No entanto, o principal desafio colocado pela pesquisadora é a mudança de pensamento da humanidade. “Essa é a verdadeira revolução para salvar o mundo, no sentido de que estamos destruindo-o cada vez mais (não somente os recursos naturais, mas também a intolerância entre nações)”, explicou. Para Mônica, o II SIEPE é um momento para levantar essas discussões. “Notamos claramente que esse é um Instituto que está preocupado com a formação humana e não somente conteudista”,  destacou.

MESA REDONDA 2

A Mesa Redonda 2, que tratou da Formação científica e tecnológica e os desafios interculturais, inclusivos e ambientais no contexto contemporâneo, foi a última atividade de debate proposta pelo II Seminário Integrado de Ensino, Pesquisa e Extensão (SIEPE) realizado de 09 a 11 de abril no Câmpus Camboriú.

Coordenada por Cladecir Alberto Schenkel (IFC) a Mesa Redonda 2 contou com a participação de Valdelúcia Alves da Costa (UFF), Leandro Belinaso Guimarães (UFSC) e Reinaldo Matias Fleuri (CAPES/IFC). Guimarães falou sobre a subjetividade das imagens, sendo um instrumento para aprender e com plasticidade para experimentar, sentir e pensar. “A imagem pode continuar a história que nos contam, pode permitir pensar narrativas e nos fazer refletir sobre como temos nos relacionado com o ambiente e o mundo”, disse ele ao mostrar aos presentes uma fotografia de Pedro Motta (Inselberg) que faz refletir sobre a degradação ambiental.

“Há uma edição proposital na imagem para construir uma narrativa singular. O uso de uma técnica que transforma a preocupação mais realista. Inúmeras histórias podem ser recriadas e recontadas de diferentes formas”, aprofundou ele. O convite reflexivo de Leandro está relacionado com a educação ambiental que recria narrativas e reconfigura mundos.

Valdelúcia abordou a temática de que a narrativa é uma experiência, um processo natural de formação. “A minha pesquisa narra as experiências de pessoas com deficiência; percebemos que o desafio da contemporaneidade é produzir tecnologias para o desenvolvimento humano, uma tecnologia assistiva e solidária. Aqui questiono quais as possíveis contribuições da formação científica e tecnológica na contemporaneidade para o combate à segregação e exclusão social? Essa ciência faz sentido se estiver voltada para o bem à humanidade”.

A pesquisadora ressaltou que o conhecimento precisa emancipar e libertar e a imagem, trazida por Guimarães, tem o compromisso com a experiência de olhar o indivíduo. “A formação tecnológica não deve ser pensada como o fim em si mesma, mas sim para refletir sobre a sociedade e contribuir para a transformação social”.

Fleuri realizou uma análise geral do II SIEPE a partir das contribuições dos participantes. “Tivemos uma experiência singular nesses três dias. Desde a abertura até o terceiro e último dia percebemos uma Instituição assumir os seus propósitos institucionais e coletivos através do debate do Ensino, Pesquisa e Extensão sobre os pilares Interculturalidade, Sustentabilidade e Inclusão. Estamos todos de parabéns pela organização em geral, sobre tudo no aspecto da acessibilidade, que criou condições de interações e participação de todos”, falou.

Vale ressaltar que todo o II SIEPE contou com intérprete de Libras e audiodescrição durante as cerimonias.

MAIS
Durante o II SIEPE houveram os GTs de Interculturalidade, Sustentabilidade e Inclusão no dia 10/04, além de apresentação de pôsters e apresentações culturais.

Confira mais reportagens e fotografias no SITE DO II SIEPE

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* Texto e fotos: Equipe especial II SIEPE

Jornalistas Nicole Trevisol e Marília Massochin.

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Esta notícia foi editada na quarta-feira, 16 de abril de 2014, às 20:23 pela Coordenação-Geral de Comunicação (Cecom).

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