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NAPNE INFORMA: Intervenções Nutricionais no Autismo (Parte II)

As pessoas com Transtorno do Espectro Autista apresentam características específicas, como a repetição, a estereotipia comportamental e a resistência a mudanças. Quando expostas a situações que exigem a alteração de rotinas e padrões estabelecidos, geralmente se tornam agitadas e/ou agressivas, em razão da ansiedade gerada diante do desconhecido. Este padrão de comportamento, muitas vezes, dificulta a alimentação saudável e contribui para a ocorrência da seletividade alimentar.

Pesquisadores afirmam que crianças só desenvolvem preferência por comer alimentos depois prová-los repetidamente, o que significa que apenas servir ou apresentar novos alimentos não será suficiente para estabelecer uma preferência por eles, ou seja, a criança precisa provar a comida múltiplas vezes para definir se gosta ou não. Nenhuma criança vai gostar de todos os alimentos, mas muitas crianças podem aprender a desfrutar de uma ampla variedade, uma vez que adaptam o paladar ao experimentar alimentos de forma repetitiva.

Para a introdução de novos alimentos, o primeiro passo é determinar quais devem ser introduzidos. Recomenda-se começar com alimentos que são semelhantes aos que já são consumidos (alimentos da mesma cor, textura ou forma).

O importante é fazer com que a criança prove novos alimentos tantas vezes quanto forem necessárias e suficientes para desenvolver sua preferência. As crianças aprendem não só por experimentar, mas por ver o exemplo dos pais, irmãos, amigos e colegas. Assim, é importante a colaboração e o envolvimento de todas as pessoas próximas.

Dicas:

1. Disfarçar alimentos novos junto aos preferidos: esta estratégia funciona para introduzir nutrientes de alimentos ainda não aceitos pelo autista. O início da introdução deve ser lento, com pequenas quantidades do alimento ou líquido novo, para que a criança consuma sem saber que está comendo.

2. Acrescentar alimentos novos aos preferidos, ou seja, colocar pequenos pedaços de alimentos novos junto à comida preferida: esta técnica ajuda a aumentar a variedade de alimentos consumidos e a probabilidade de a criança aceitar a inserção deles em sua dieta.

3. Reintroduzir alimentos que já foram consumidos anteriormente e que não fazem mais parte das refeições. Muitas vezes funciona até melhor do que a introdução de alimentos novos.

4. Começar a oferta de novos alimentos em uma única mordida: quando a criança aceitar comer uma pequena mordida da porção a cada refeição sem rejeitar, chorar, gritar ou engasgar, aumente gradualmente o tamanho da mordida. Uma vez que a criança já alcance uma mordida normal para ela, deve-se aumentar o número de mordidas até que a criança esteja consumindo a porção adequada. Essa técnica pode ser praticada no mesmo prato junto à refeição ou pode-se fazer a oferta separada, antes da refeição com os alimentos de sua rotina.

5. Modelagem Planejada: os pais devem comer os alimentos que desejam que seus filhos experimentem e mostrar entusiasmo para si mesmo, e não direcionado para a criança. Assim conseguirão despertar a curiosidade da criança e criar nela o hábito de consumir esses alimentos com o tempo.

Na fase inicial de uma intervenção, o maior objetivo é aumentar a disposição da criança para comer um novo alimento, mesmo em quantidade pequena. A adaptação da quantidade deve ser feita mais tarde, quando a criança já estiver aceitando outros alimentos.

* Fonte:

1. http://johannaterapeutaocupacional.blogspot.com.br/search/label/Quest%C3%B5es%20de%20alimenta%C3%A7%C3%A3o%20parte%201

2. http://johannaterapeutaocupacional.blogspot.com.br/search/label/Quest%C3%B5es%20de%20alimenta%C3%A7%C3%A3o%20parte%202

* Texto: NAPNE/Reitoria.

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Esta notícia foi editada na terça-feira, 24 de novembro de 2015, às 20:06 por Nicole Trevisol.

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