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NAPNE INFORMA: Deficiência Auditiva ou Surdez?

A resposta a essa pergunta depende do paradigma a ser adotado. Sob o ponto de vista biológico, os dois termos podem ser considerados sinônimos, independentemente da perda auditiva ser leve, moderada, severa ou profunda. Sob a perspectiva histórico-cultural, esse conceito muda, ou seja, os surdos “são pessoas que não se consideram deficientes, utilizam uma língua de sinais, valorizam sua história, arte e literatura e propõem uma pedagogia própria para a educação das crianças surdas. Os deficientes auditivos seriam as pessoas que não se identificam com a cultura e a comunidade surda.” (BISOL; VALENTINI, 2011). Os surdos interagem com o mundo e o compreendem por meio de experiências visuais, manifestando essa interação por meio da LIBRAS.

Ser Surdo significa ser um sujeito diferente e não com deficiência, que pertence a uma comunidade minoritária que compartilha cultura e língua próprias – direito este garantido pelo Decreto nº 5.626/05, que regulamenta a Lei de Oficialização da LIBRAS, Lei nº 10.436/02, e a Lei de Acessibilidade nº 10.098/00.

Já no âmbito da Medicina, há os que afirmam que o termo surdez poderá ser utilizado quando o indivíduo possui surdez profunda; enquanto nos casos leves e moderados, opta-se pela denominação “deficiências auditivas.” Dentro da perspectiva de surdez congênita, entende-se que esta se refere ao sujeito que nasce surdo, diferentemente da deficiência auditiva, que é um déficit adquirido posteriormente, ou seja, a pessoa nasce com a audição em perfeitas condições e, devido a lesões ou outras doenças, perde a audição. A perda auditiva pode ocorrer no período pré-linguístico (antes da aquisição da linguagem) ou pós-linguístico (após a aquisição da linguagem). A deficiência auditiva é considerada a perda bilateral, parcial (unilateral) ou total de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz.

No Brasil, estima-se que existam cerca de 15 milhões de pessoas com algum tipo de perda auditiva. No Censo de 2000, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 3,3% da população responderam ter algum problema auditivo. Aproximadamente 1% declarou ser incapaz de ouvir.

Independentemente do paradigma a ser adotado, as pessoas com surdez ou deficiência auditiva podem escolher a forma de comunicação que mais lhe agradam, seja por meio do oralismo (com acompanhamento de Fonoaudiologia, uso de aparelhos auditivos, entre outras ações), Língua de Sinais (LIBRAS) ou ambos.

Referências:

BISOL, C. A.; VALENTINI, C. B. Surdez e Deficiência Auditiva – qual a diferença? Objeto de Aprendizagem Incluir – UCS/FAPERGS, 2011. Disponível em: <http://www.grupoelri.com.br/Incluir/downloads/OA_SURDEZ_Surdez_X_Def_Audit_Texto.pdf>. Acesso em: 19 fev. 2016.

PACHECO, Jonas; ESTRUC, Ricardo. Curso Básico da Libras: Língua Brasileira de Sinais. 2011. Disponível em: <http://www.portaleducacao.com.br/educacao/artigos/21289/e-a-sociedade-pergunta-surdo-surdo-mudo-ou-deficiente-auditivo>. Acesso em: 19 fev. 2016.

Mais em: http://www.deficiencia.no.comunidades.net/deficiencia-auditiva

Mais em: http://surdezprofundaconhecendoapenaslib.blogspot.com.br/2009/12/diferencas-existentes-entre-surdos-e.html

*Texto: NAPNE/Reitoria.

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Esta notícia foi editada na quarta-feira, 2 de março de 2016, às 17:50 por Nicole Trevisol.

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