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NAPNE promove palestra “Inclusão: em pauta, a deficiência visual”

napne-cao-guia (6)Acessibilidade e conscientização foram os principais aspectos abordados durante a palestra “Inclusão: em pauta, a deficiência visual”, evento realizado pelo NAPNE da Reitoria que ocorreu na tarde do dia 18 de junho, no Mezanino da Reitoria.

Ao todo, cerca de 40 servidores estiveram presentes e puderam conhecer mais sobre dificuldades, capacidades e recursos disponíveis na perspectiva de pessoas com deficiência visual.

Luana Tillmann, pedagoga, é deficiente visual e foi um das pessoas selecionadas para receber o Mambo, um dos primeiros cães-guia treinados no Centro de Formação de Treinadores e Instrutores de Cães-Guia do IFC, instalado no Câmpus Camboriú. Para iniciar as atividades, Luana e Daiane Mantoanelli, assistente social e baixa visão, realizaram uma dinâmica com os presentes: vendados, os servidores foram colocados em pares e analisaram as mãos uns dos outros. Em seguida, se deslocaram e tiveram que localizar “a sua mão” vendados. “Foi uma experiência incrível”, eles contavam.

As palestrantes falaram sobre o conceito de pessoa com deficiência sob a perspectiva do modelo social de deficiência e a partir da legislação brasileira, deram sugestões e dicas para interagir com pessoas com deficiência visual, falaram sobre a relevância das tecnologias assistivas e da acessibilidade e deram orientações para o bom convívio com o cão-guia e seu usuário.

“O deficiente visual precisa usar os seus outros sentidos para dar conta das suas atividades, sendo que os recursos são fundamentais para nos garantir a acessibilidade”, conta Luana.

Segundo Daiane, é preciso que a sociedade perceba que os avanços ocorrem ao oportunizar acessibilidade às pessoas com alguma necessidade. “É preciso dar igualdade de condição para que a pessoa possa produzir e ter autonomia”.napne-cao-guia (1)

“Nós estamos aqui, hoje, em condição de igualdade. Preparamos a nossa apresentação, sabemos onde estão e quais são as imagens. Estou com um ponto que me ajuda a acompanhar a apresentação; estamos numa condição de equiparação porque tivemos acesso aos recursos necessários”, esclarece Luana.

DICAS

  • O principal ponto está em entender que a pessoa vem em primeiro, depois vem a sua deficiência.
  • Compreenda a deficiência, pois ela é uma característica da diversidade humana.
  • Evite fazer perguntas muito íntimas no primeiro contato.
  • Dirija sua fala diretamente à pessoa com deficiência.
  • Não faça comentários em voz alta sobre o cego ao passar por ele.
  • Ofereça ajuda, espere a oferta ser aceita e pergunte como deve proceder.
  • Haja com naturalidade mediante situações cotidianas.
  • Aborde sempre a pessoa com deficiência visual identificando-se e fazendo um ligeiro e sutil contato físico.
  • Não evite utilizar palavras como ver, olhar, assistir.
  • Ao guiar uma pessoa com deficiência visual, ofereça seu braço. Ela segurará em seu cotovelo, ficando meio passo atrás de você, e sentirá seus movimentos.
  • Ao indicar uma cadeira para uma pessoa com deficiência visual, somente direcione sua mão para o encosto.
  • Caso você for utilizar vídeos e não os encontrar com audiodescrição, proceda da mesma forma, sem sobrepor sua fala ao diálogo e/ou sons e ruídos relevantes à compreensão do contexto.
  • Se você estiver ministrando uma palestra e perceber que na plateia existem pessoas com deficiência visual, antes de dar início, pronuncie algumas palavras distantes do microfone, a fim de que elas possam lhe localizar no ambiente.

MAIS DICAS AQUI: considerações sobre Inclusão em Pauta a Deficiência Visual

CÃO-GUIA: uma tecnologia assistiva animal que facilita a mobilidade da pessoa com deficiência visual

O que é cão-guia?

napne-cao-guia (2)O cão-guia é considerado um recurso de tecnologia assistiva animal que facilita a mobilidade da pessoa com deficiência visual. Usuários de cães-guia adquirem maior independência, agilidade e precisão na locomoção, tanto em trajetos cotidianos quanto em desconhecidos. Além disso, os cães ampliam significativamente a socialização da pessoa cega ou com baixa visão, considerando que ele se apresenta como um elo de aproximação entre usuário e pessoas interessadas no trabalho do cão-guia ou admiradoras de cães.

A dupla usuário e cão-guia trabalha em parceria simultânea e contínua, na qual cada um desenvolve seu papel para a obtenção da harmonia. Enquanto a pessoa com deficiência visual indica as direções e os trajetos a serem seguidos, o cão desvia de obstáculos fixos e móveis, localiza destinos quando solicitado, bem como informa e fica atento a possíveis riscos.

O ponto principal para o bom desempenho de uma dupla é a confiança e o respeito, conquistados com o convívio e a dedicação mútua. O ser humano (usuário) cuida de seu cão, atendendo a todas as suas necessidades básicas (asseio diário, alimentação, lazer, conforto, carinho e recompensa). O animal (cão-guia) cuida de seu dono, ajudando-lhe a locomover-se com segurança e afastando-o de situações de risco. Esta parceria estrutura-se, essencialmente, no amor e na cumplicidade.

Como é o treinamento?

O cão-guia passa por um treinamento de até dois anos para se graduar. Durante esta fase ele convive, inicialmente, com uma família socializadora, a qual lhe apresenta todos os espaços comuns e permite-lhe participar de situações cotidianas e/ou inusitadas, além de ter um significativo papel na educação dos futuros cães-guia.

Após este período, o cão inicia seu treinamento, cujo processo, entre outras tarefas, é focado no aprendizado e obediência de comandos direcionais, segurança no tráfego de veículos e pedestres, identificação e desvio de obstáculos, localização de pontos de referência, tais como porta, ônibus, assento, ponto, faixa de pedestre, rampa, escada, portão, meio-fio. Por fim, há a etapa de formação da dupla, na qual o possível usuário é avaliado, considerando suas habilidades de orientação e mobilidade e estrutura psicológica, familiar e residencial, com o objetivo de combiná-lo ao perfil do cão que já está apto para ser um cão-guia. A partir da escolha do usuário, inicia-se a fase de adaptação baseada no convívio, reconhecimento e fortalecimento da dupla. A pessoa com deficiência visual apropria-se dos comandos, entonação de voz, postura e cuidados com o cão e este, gradativamente, torna-se obediente, respeitoso e vinculado afetivamente ao seu novo companheiro.

O que devo saber para a boa convivência com usuários e cães-guia?

1. A unidade cão-guia e usuário é uma dupla que deve trabalhar em conjunto. O usuário indica as direções e destinos a serem seguidos e o cão desvia dos obstáculos fixos e móveis, localiza pontos de referência e demais destinos solicitados pelo usuário. O cão-guia só trabalha bem se seu usuário tiver pleno domínio das técnicas e possuir confiança no mapeamento dos caminhos a serem seguidos pela unidade.

2. As pessoas que observam a dupla trabalhando em hipótese alguma devem oferecer alimento ao cão, acariciá-lo, distraí-lo com acenos ou chamá-lo. Isto é muito grave, tira a atenção do cão-guia e oferece um risco a dupla, fazendo com que saiam do foco e percam seu objetivo, podendo até colocá-los em perigo ou excessivo estresse emocional.

3. Mesmo parado, sentado ou deitado, um cão-guia está trabalhando. Dessa forma, caso deseje acariciá-lo e falar com ele, sempre solicite primeiro ao seu usuário. É importante lembrar que os usuários de cães-guia são pessoas com deficiência visual; desta forma, nunca se aproxime do cão sem avisar, pois isto violará sua condição visual. Dirija sua pergunta à pessoa, questionando se pode acariciar o cão, e não se chateie se o usuário não permitir. Isto é muito sério, pois carinhos durante o trabalho, realizados de maneira equivocada, excitam o cão e o desconcentram.

4. Durante a caminhada, possivelmente o usuário necessite chamar a atenção do cão-guia, corrigindo-o verbalmente e/ou com toques na guia. Não ache isto estranho nem se chateie. Estas atitudes são estritamente necessárias para o bom desempenho da dupla e a efetividade do trabalho, fazendo com que circulem com segurança e sigam para o destino desejado.

5. Mesmo que uma pessoa cega esteja sendo guiada por um cão-guia, em algum momento ela precisará de ajuda. Responda às suas perguntas e a oriente quando solicitado. Caso você perceba que um usuário de cão-guia está precisando de auxílio, aproxime-se da dupla e, dirigindo sua pergunta à pessoa, questione se ela deseja algo.

* Texto e fotos: CECOM/Reitoria, com informações do NAPNE.

** Apresentação: Cedida pelas palestrantes.

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Esta notícia foi editada na quarta-feira, 24 de junho de 2015, às 16:31 por Nicole Trevisol.

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